segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A minha, a sua, a nossa família...

Imagem: Google - sem informação de autoria


Por Brenda Ongoratto, Lucimara Constantino e Maria Rita Vaz
Supervisão final: Daniela Delias 


O que é família para você? O que você pensa sobre as novas configurações familiares? Essas perguntas têm causado muita polêmica em nossa sociedade. Definir o que é uma família é muito complexo, pois ela vai muito além da ideia de um simples agrupamento de pessoas. A família é uma instituição social dinâmica em termos de relações, e sua conceituação é variável por se tratar de uma construção histórica e social que sofre influências da cultura da época, do local que se vive e das conquistas sociais de cada geração. É muito importante e fundamental que façamos a reflexão sobre a família de forma ampla e diversificada a partir de um momento histórico e de um contexto social.

Não se pretende defender um modelo de família ideal, mas apenas discutir que, independente do arranjo familiar, os filhos têm o direito de serem cuidados garantindo um pleno desenvolvimento. Estes novos arranjos familiares carregam consigo novas responsabilidades para cada pessoa que compõe a família, definindo-se as funções com base nas particularidades de cada família e não em funções ou práticas tradicionalmente delegadas ao homem e a mulher.

Os avanços tecnológicos que vivenciamos nos últimos anos permitiram diversos tipos de relações entre as pessoas, como por exemplo, a inseminação artificial que possibilitou que casais homoafetivos tivessem filhos consanguíneos. Esse avanço causou uma grande mudança na estrutura social, bem como modificações no núcleo familiar.  A família tradicional que privilegia a família nuclear, caracterizada pela existência do pai, da mãe e dos filhos de primeiro casamento deixou de ser a única existente em nossa sociedade. O que vemos no nosso cotidiano e que cada vez é mais comum são as famílias onde convivem vários parentes, irmãos, meio-irmão, mulher do pai, filhos do marido da mãe e outros. Com essas novas configurações são estabelecidos desafios que são comuns a crianças, jovens e adultos do nosso tempo.

As configurações familiares estão mudando e multiplicando-se em famílias separadas, recasadas, monoparentais, socioafetivas e homoafetivas apresentando-se com novos formatos, abrangendo a complexidade e diversidade das relações familiares. É comum encontrarmos a família monoparental, formada pelo pai ou mãe e o filho; a família formada apenas por irmãos; por primos; por tios e sobrinhos; por avós e netos e a família formada por casais homossexuais, sem filhos, com filhos de um deles ou até com filhos adotados conjuntamente. Considera-se que todas essas relações humanas abrangem o termo “família”.

O aumento da longevidade humana também produziu modificações nas configurações familiares, particularmente no envolvimento e na participação dos avós na vida familiar. O perfil dos avós atuais não está mais limitado a pessoas que descansam, mas na maioria das vezes, são pessoas ainda em atividade profissional que acompanham seus filhos e netos até a idade adulta. É comum entrarmos em contato com histórias de avós que cuidam de seus netos e certamente conhecemos o mito de que a criança é mimada. Na maioria das vezes é uma falsa impressão, pois as pesquisas demonstram que crianças criadas pelos avós podem ter uma educação menos rígida em razão do cuidado dos avós em minimizar o sofrimento dos netos por não serem criados pelos pais e não por não serem dadas regras. Diversos estudos revelam que os limites impostos aos filhos-netos são similares aos dados na criação de seus filhos anteriormente.
               
A família deve ser o espaço da garantia de proteção integral e da sobrevivência, independente da configuração familiar que se baseie, pois além da oportunidade de convivência cotidiana também representa a dinâmica das relações sociais por não ser apenas uma unidade biológica, mas uma construção social. Nesse sentido, as famílias devem ser priorizadas nas políticas sociais e necessitam de ações que determinem a melhoria da qualidade de vida de seus componentes, em razão das transformações vividas na sociedade e que têm refletido neste segmento, fragilizando-as e tornando-as vulneráveis.

A partir das mudanças no mundo e na sociedade que se refletem na família, é importante que se pense o conceito de gênero, ou seja, a relação entre homens e mulheres e como se relacionam. Contudo, tais mudanças não deveriam ser analisadas em termos do que é bom ou ruim. O foco talvez esteja em sempre possibilitar que as tarefas e funções parentais sejam representadas de forma adequada para o crescimento e desenvolvimento físico e emocional das crianças e adolescentes.

Referências:

MAINETTI, Ana Carolina; WANDERBROOCKE, Ana Claudia Nunes de Souza.  Avós que assumem a criação de netos. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679494X2013000100009&lng=pt&nrm=iso. Acessado em  16  jan.  2014.

CASTRO, Maria Cristina Ávila. Configurações familiares atuais. Disponível em: http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.escoladepaisdebiguacu.org.br%2F2010%2F08%2Fconfiguracoes-familiares-atuais%2F&h=HAQEbrdl7. Acessado em 17 jan. 2014.

RODRIGUEZ, Brunella Carla  e  PAIVA, Maria Lucia de Souza Campos. Um estudo sobre o exercício da parentalidade em contexto homoparental. Vínculo [online]. 2009, vol.6, n.1 [citado 2014-01-27], pp. 13-25. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180624902009000100003&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1806-2490. Acessado em 17. jan. 2014.


PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Novas configurações familiares. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, X, n. 45, set 2007. Disponível em: http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2319>.  Acesso em 17 jan. 2014.


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