sexta-feira, 12 de abril de 2013

A criança em idade escolar

Google - sem informação de autoria

Por Erick Prado, Diego Roque, Itajubá Ferreira, Marcelo Nunes e Marcos Londero (6 a 9 anos)/ 
Cláudio André Amaral, Fernanda Tavares, Rafaella Brod, Rafaela Machado (9 a 12 anos).


          Passados os primeiros seis anos de vida, tempo em que a criança vivia basicamente em casa aos cuidados da família, chega a hora de conhecer o mundo fora desse círculo inicial de convivência. Na idade escolar, período compreendido entre seis e 12 anos de idade, ela conhece crianças de famílias diferentes da sua e se depara com regras e exigências de conduta social, o que contribuirá com a construção de padrões e hábitos que influenciarão na sua vida jovem e adulta.
A idade escolar é um longo período. Entre seis e nove anos de idade observa-se a maior parte das mudanças que dizem respeito à necessidade de estabelecer relacionamentos fora da família. A escola representa o primeiro contato com o mundo fora desta, com colegas e professores que influenciarão na formação do indivíduo. Nessa fase, a criança passa a ter planos, pensar no futuro e naqueles ao seu redor, e se vê profundamente comprometida com o aprendizado formal (escola) e aprendizado informal (relações sociais).
É importante destacar que o ambiente escolar torna-se um dos principais cenários para a vivência de um conflito que o psicanalista Erik Erikson chamou de “indústria x inferioridade”. Erikson utiliza a palavra indústria no sentido de produtividade, de desenvolvimento e de competência, concluindo que, nesta fase, em várias culturas, fazem-se importantes aprendizagens sociais. Já o termo “inferioridade” refere-se à possibilidade da criança, quando em circunstâncias menos favoráveis, desenvolver neste período um sentimento de inadequação por não se sentir segura nas suas capacidades ou não se sentir reconhecida em seu papel no grupo social a que pertence. É aqui que a criança passa a perceber competências e papéis específicos que fazem parte de sua cultura. É no contato com seus pares que a formação cultural se molda, uma vez que a criança precisa desprender-se do seu egocentrismo e onipotência em prol da convivência com os demais. 
Em relação ao desenvolvimento cognitivo, Jean Piaget apontou para um importante salto que ocorre nesta fase: a criança passa do estágio pré-operatório para o estágio das operações concretas. Para Piaget, é nesse estágio que se reorganiza verdadeiramente o pensamento. A criança consegue realizar operações mentais que até então não conseguia, como, por exemplo, a reversibilidade. No entanto, precisa da realidade concreta para realizar as mesmas, ou seja: está fortemente ligada ao concreto, a percepção concreta das situações vividas. Nesse período, suas próprias observações e experiências servem como ponto de apoio para a aprendizagem. Aqui, a criança passa a ter capacidade de utilizar a lógica indutiva, isto é, parte de suas próprias experiências para a compreensão de um princípio geral. Contudo, segundo o autor, ainda não é capaz de utilizar a lógica dedutiva, na qual a partir de um princípio geral pode-se gerar hipóteses jamais vividas.
Sigmund Freud chamou de “latência” o período do desenvolvimento compreendido entre os anos de infância e a adolescência. A palavra latência conduz inicialmente à ideia de que algo se encontra em estado de espera. Porém, não é o que se observa. Nessa fase, ocorre uma importante reorganização das defesas, as quais estão apoiadas em dois pilares: o plano afetivo e o plano cognitivo. Em relação à libido – foco dos estudos psicanalíticos sobre o desenvolvimento humano - o equilíbrio da latência é concretizado quando forem dados os passos em direção à resolução do Complexo de Édipo. A identificação com os pais torna-se parte da evolução da personalidade da criança, estabelecendo assim um relacionamento de neutralidade com os mesmos. A imagem dos pais deixa de ser tão idealizada tornando-a mais passível de identificação. Nesse período, a libido é impedida de se manifestar em sua forma mais claramente sexualizada, isso explica a necessidade do escolar de praticar atividades manuais, esportes e competições que aparecem como um conjunto de ações e condutas com características sublimatórias, fortalecendo o ego e elevando a autoestima, o que permite uma melhor convivência social. Diferentemente das primeiras etapas de vida, a criança agora inicia um desligamento progressivo dos cuidadores, fazendo com que se intensifiquem os laços com os amigos, sendo que meninos e meninas se distanciam, reunindo-se em grupos praticamente antagônicos.
O conflito edípico, segundo a teoria psicanalítica, é dramatizado por meio de uma conduta ora submissa, ora rebelde, em uma luta dolorosa entre o proibido e o permitido. É comum, nessa fase, o rechaço e o deslocamento da agressão para as figuras parentais. Muitas vezes, a criança esconde suas dificuldades e não busca ajuda, deixando os pais perdidos e com a sensação de impotência. A busca de outros princípios tem o sentido de deixar a ligação inicial, fazendo novos vínculos e caminhando em direção a uma identidade própria. Quando a criança está chegando ao final do período da latência, o antigo interesse pelo próprio corpo se dirige para a curiosidade pelo corpo do outro.  É nesse momento que se observam alguns movimentos de segregação de gênero, sendo que as amizades entre meninos são extensivas e limitadas enquanto que as meninas costumam ter amizades mais intensas e facilitadoras. Os vínculos de amizade fortalecerão a construção da identidade sexual. Além disso, surge a necessidade do conhecimento do mundo e das leis que o regem, sendo que o senso de autoestima deriva agora das realizações.

Referências:

BEE, Helen; Regina Garcez (trad.). O ciclo vital. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução a Psicologia: Terceira Edição. São Paulo: Pearson Amkron Books, 2001.

EIZIRIK, Cláudio Laks; KAPCZINSKI, Flávio; BASSOLS, Ana Margareth Siqueira (Orgs.).O ciclo da vida humana: uma perspectiva psicodinâmica. Porto Alegre: Artmed, 2001.

                                              Supervisão: Profª Draª Daniela Delias de Sousa

2 comentários:

  1. Muito interessante e com Piaget explicando facilita alguns pontos dando mais flexibilidade ao tema proposto. Fabricio Amado

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  2. O texto é de fácil compreensão mais é necessário mais detalhes sobre o autor Piaget.

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